Lembro-me perfeitamente do dia em que tirei a carta de condução.
Duas dezenas de aulas de código. Outras tantas de condução. Dois exames. Passei.
Carta na mão, autorizado a conduzir sozinho.
Mas, para te dizer a verdade… Ainda não sabia conduzir.
Quer dizer, sabia o mínimo. O básico. O suficiente para não bater no carro da frente.
Mas não estava confortável. Não relaxava. Não gozava a viagem.
Eram demasiadas coisas ao mesmo tempo:
Cinto.
Retrovisores.
Banco ajustado.
Ponto-morto.
Embraiagem no sítio certo (sem acelerar demais nem de menos, senão o carro “ia abaixo”).
Travagens suaves.
Pés no sítio certo.
Sinais de trânsito.
Placas de direção.
Piscas.
Distância de segurança.
Velocidade (nem rápido demais, nem devagar demais).
E por aí fora.
Tantos pormenores que, muitas vezes, nem desfrutava da viagem.
Nem da companhia.
Passado algum tempo (não sei precisar quanto), tudo isso ficou dominado.
A pouco e pouco, passou a ser automático.
Sem ter de pensar.
E aí sim, comecei a apreciar as viagens. E a companhia.
Mas se não tivesse passado por aquela fase desconfortável, nunca teria aprendido a conduzir de verdade.
Não era a carta que fazia de mim um bom condutor.
Aliás, conheces alguém que tirou a carta e nunca mais pegou num carro?
Eu conheço vários.
Passado algum tempo, já nem se atrevem. Têm medo. Não sabem o que fazer.
Alguns voltam a ter aulas.
O mesmo acontece com muitas formações que frequentamos.
Aprendemos as bases. O que é importante para começar.
Mas se não colocamos logo em prática – se não passamos pela fase desconfortável de fazer aquilo sem apreciar – nunca chegaremos a dominar o que aprendemos.
E nunca tiraremos partido do investimento que fizemos.
Porque primeiro tiramos a carta.
E só depois é que aprendemos a conduzir.
Mas apenas se estivermos dispostos a praticar.
E a ficar desconfortáveis por um tempo.
O certificado, por si só… não basta.
Já te aconteceu o mesmo?
Um abraço e tem um dia excelente,
Marco Paulo Costa
www.omeunegocioimobiliario.com
