Era um aprendiz na cozinha de Massimo Bottura.
Nervoso, como todos os que chegam àquela cozinha pela primeira vez.
Estava a preparar a tarte de limão — uma sobremesa técnica, delicada, que exige precisão.
E deixou-a cair.
A tarte esmagou-se no prato. A apresentação destruída. O trabalho de horas, perdido em meio segundo.
O aprendiz ficou em pânico.
Bottura olhou para o prato.
E serviu-o assim.
Esmagado, imperfeito, acidentado — foi exactamente assim que saiu para a mesa.
Hoje, “Oops, I Dropped the Lemon Tart” é um dos pratos mais fotografados, mais pedidos, mais comentados da Osteria Francescana.
O erro tornou-se a assinatura.
Os agentes imobiliários têm um medo enorme de parecer imperfeitos.
O anúncio tem de ser impecável. A visita tem de correr na perfeição. A resposta tem de ser sempre rápida, sempre certa, sempre segura.
E quando algo corre mal — o negócio que não fechou, o cliente que ficou insatisfeito, o imóvel que ficou meses parado — esconde-se. Ignora-se. Faz-se de conta que não aconteceu.
Mas as pessoas não confiam em quem nunca falha.
Confiam em quem é honesto sobre as falhas.
Porque sabem que quando esse agente diz que está tudo bem — está mesmo tudo bem.
A vulnerabilidade bem colocada não enfraquece a tua imagem. Constrói-a.
Esta semana, experimenta isto:
Conta uma situação que não correu como esperavas. Num post, num email, numa conversa com um cliente antigo.
Não precisas de dramatizar. Não precisas de te humilhar.
Só precisas de ser real.
“Tive um negócio que não fechou porque não soube gerir as expectativas do cliente. Aprendi que…”
“Uma vez publiquei um imóvel sem verificar todos os detalhes. Custou-me tempo e embaraço. Desde então…”
As pessoas reconhecem-se nessas histórias. E quando se reconhecem, aproximam-se.
Um abraço e tem um dia excelente,
Marco Paulo Costa
www.omeunegocioimobiliario.com
P.S. — Bottura podia ter escondido o acidente. Podia ter pedido ao aprendiz para refazer a tarte. Escolheu o caminho oposto — e foi esse caminho que o tornou inimitável.
Amanhã, falo-te de outra escolha que parece arriscada mas que separa os agentes medianos dos que ficam na memória das pessoas.
